NUA E CRUA
Renan Baddauy

Nua e Crua Destrinchando carnes Nessas tardes tortas Pelas noites mortas Bebendo sangue Respingando vinagre Tateando mortes Maldizendo sortes Verberando versos Estrofes malignas Vozes fidedignas Palavras atrozes Caladas e surdas Cegas e malditas Dita Dito Tudo que estava O que não estava escrito Repito Bafejo meu beijo Esquartejo Corto tiras Esfolo Dobro de joelhos Ajoelho Renego e devolvo Inovo e parto Poesia de quatro Lados de dentro Mais quatro de fora Mais uma no quarto Mais o quarto da metade E da outra metade Inteiro Inteira Tardava comigo Meu inverno predileto Toda vez Demorando em admitir Minha vida Seu seio Minha morte Receio Minha arte Meio parte Meio tinta Meio dores Meio mares Arredores Nesses cantos Encantos cravejados Todos esses lados Quadrado ao quadrado Quadrado de pontas Agulhadas Enquadradas Pelas noites Essas tardes Pelas partes Incontáveis Nos tempos Em que Marte Fez-se Vênus E meu fêmur Fraturado Fez-se bruto Laminado Fez-se aço Fibra Nervo Distendido e dolorosa Fez-se À flor Dessa nossa prosa Fez-se músculo Fez-se parte Fez-se parta Fez-se parto Fez-se rosa Fez-se dona Fez-se dono Fez-se tanto Nossa glosa Censurando Toda merda Toda suja Toda pobre Todo nobre Censurando Tudo que não pode Tudo que perdido Perdida Nossa mira Canto tiro Tanto tiro Disparado nessa droga Nesse parto Parto o quarto Parto a rosa Parto e reparto Tudo quanto possa Parto e devolvo Mais de mim e dela Mais que de ninguém Canto hinos Orgulhosos Orgulhoso Nada consta Monta Monto Cavalgo e canto Meu chicote Sofrimento Nosso pranto Ensinamento Embargando Meu tormento Citando mais de tudo Desdizendo Pervertendo Distorcendo Mais do que nunca em qualquer canto Canto Ela Dela Bela Pena de artista Poeta de favela Miséria mais que vela Pirata mais que naufrago Livro fechado mais que náutico Mapa de ruínas mais que tesouros Mais que prata Douro o ouro Adoro Quer sem ter Medo de não ser Leve quanto bruma Crueldade mais termina Castidade mais domina Maldade quanto viva Ruindade quanto urra Suada quanto surra Letrada quanto esconde Canta o conto Canto onde Canto certo Canto pronto Conto quanto Não sei Se houvera desse lado Ouvido Orelha Boca Nariz Narinas Dito ao quadrado Tinha desse lado ao quadrado Mais que somente o dado Tanto quanto fosse navegado Tanto quanto fosse selado Chancela carimbo esquadro Gravado nesse lado de lado Ao lado do tudo quanto fosse ditado Decoro essas linhas torpes Essas filas retas Essas filhas setas Essas folhas embebidas Bebendo dessa partida


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