Renan Baddauy

A mão denuncia o ato. O absurdo em retrato. Submerso no fluxo. De revoluções pessoais. Fosse mais nítida... Essa fotografia... Fosse o segundo, o minuto, o ponteiro... A regularidade mais fútil. O ritmo mais febril. O número inexato. A repetição mais feliz. Fosse a pausa, o silêncio, o segredo... O oculto e o óbvio. Fosse certeza... A verdade em definitivo. Fosse o profundo, o tênue, o frágil... O oblíquo. Ditada pelo que não resiste o momento. Dissolve o tempo. Disseca o poeta. Revela a vida. De viés...

Renan Baddauy

Mais abstrato que o nada O verso assume seu timbre Reage ao comando Ordena o discurso Discorre sobre tudo Descreve sua narrativa Proclama seu sentido: E surdo... Quase mudo... Faz de si: ritornello

Renan Baddauy

Cidade dos olhos de dentro Dança de samurai das Índias De fora, do lado de cá Balé que nunca termina Pai da ciência do nada Esgrima, o espadachim das sílabas Gravada, no meio, escrita Versada, no nome, desejo Espeta e mata o poeta Na superfície, angulada, na veia Agulha, de um velho professor Recital, duelo... Batendo, um coração de verdade De sangue, de dor, violento

Renan Baddauy

Sem gosto. Sem tonalidade. Sem massa. Sem temperatura. Sem frio. Sem sabor. Sem volume. Sem quantidade. Sem cor. Sem tudo

Renan Baddauy

O infinito inaudível, um espaço vazio, uma brainstorm vaga Uma fuga dirigida ao ponto em que nada é mais real Só o tempo transitivo de uma pausa Interrompido por um pulso intermitente