Renan Baddauy

...antisoneto “ROCHA”, ensina o poeta “Tijolo”, edifica o MURO “cimenta”, A FRASE NO meio. “De cara, UM SOCO NA testa. meu braço dispara um MUrrO tRINca, “’de vez A palavr... ‘”suja, VULGAR, marginal’”... CABAÇO, ‘’vagin, Útero. Viva’, “a antipoesia?! Direto ‘”frontal, “’no crânio! teto, do meu firm...? INFINIT., etc

Renan Baddauy

Sala de não estar Consulta particular Quem sabe o número Do andar Pra onde vai Onde vai dar Como chegar O que falar O que dizer O que pensar Como ter Querer Precisar Poder Sala de não estar Problema particular Poema de não versar Problema de não notar Não ver Não ler Não anotar Não conceber Nem cogitar Nem mais ou menos Não decifrar Cifrar Ele disse não! Ele disse não vou Ele disse não quero Ele disse não posso Ele disse que deve Poder Ele disse que tem Pena de não viver. Não tem saída! Não saio daqui Não saio de saia Do ensaio Não saio do ensaio Pena de não viver. Quanto tempo leva Dando bola Dando esmola Bebendo cola Cheirando cola Cheirando coca Ou não? D. João? Quanto tempo lava Quanto tempo soa Quanto tempo sua Envolve Volve Devolve Revolve Ouve O estalido seco Agudo Pontiagudo Afiado Pontudo Liso límpido Gentil Dócil Que arranha Entranhas Consome vísceras Tamanhas! Consome moelas Moles Estômagos Fracos Nervos Complacentes Dores Ausentes Urgentes Prementes Quanto tempo exige Mais que somente ela. Exige Quanto mais dela Mais que tudo Quanto vale Estala Canta Exige Quanto mais músculo Lança Quanto mais corte Mais que longe ela alcança Quanto mais morte Mais arte Mais doce Mais fossa Mais grosso O calibre do cano Responde Pergunta e avança Demente Mais linda ela dança Doente Mais louca e real Mais mente Mais carne Podre Pobre Miserável Mais fome e sede Mais puta Na parede Mais devassa Mais fede Mais cachaça Mais febre Mais arde Mais arte Pena de não Poder!

Renan Baddauy

Nua e Crua Destrinchando carnes Nessas tardes tortas Pelas noites mortas Bebendo sangue Respingando vinagre Tateando mortes Maldizendo sortes Verberando versos Estrofes malignas Vozes fidedignas Palavras atrozes Caladas e surdas Cegas e malditas Dita Dito Tudo que estava O que não estava escrito Repito Bafejo meu beijo Esquartejo Corto tiras Esfolo Dobro de joelhos Ajoelho Renego e devolvo Inovo e parto Poesia de quatro Lados de dentro Mais quatro de fora Mais uma no quarto Mais o quarto da metade E da outra metade Inteiro Inteira Tardava comigo Meu inverno predileto Toda vez Demorando em admitir Minha vida Seu seio Minha morte Receio Minha arte Meio parte Meio tinta Meio dores Meio mares Arredores Nesses cantos Encantos cravejados Todos esses lados Quadrado ao quadrado Quadrado de pontas Agulhadas Enquadradas Pelas noites Essas tardes Pelas partes Incontáveis Nos tempos Em que Marte Fez-se Vênus E meu fêmur Fraturado Fez-se bruto Laminado Fez-se aço Fibra Nervo Distendido e dolorosa Fez-se À flor Dessa nossa prosa Fez-se músculo Fez-se parte Fez-se parta Fez-se parto Fez-se rosa Fez-se dona Fez-se dono Fez-se tanto Nossa glosa Censurando Toda merda Toda suja Toda pobre Todo nobre Censurando Tudo que não pode Tudo que perdido Perdida Nossa mira Canto tiro Tanto tiro Disparado nessa droga Nesse parto Parto o quarto Parto a rosa Parto e reparto Tudo quanto possa Parto e devolvo Mais de mim e dela Mais que de ninguém Canto hinos Orgulhosos Orgulhoso Nada consta Monta Monto Cavalgo e canto Meu chicote Sofrimento Nosso pranto Ensinamento Embargando Meu tormento Citando mais de tudo Desdizendo Pervertendo Distorcendo Mais do que nunca em qualquer canto Canto Ela Dela Bela Pena de artista Poeta de favela Miséria mais que vela Pirata mais que naufrago Livro fechado mais que náutico Mapa de ruínas mais que tesouros Mais que prata Douro o ouro Adoro Quer sem ter Medo de não ser Leve quanto bruma Crueldade mais termina Castidade mais domina Maldade quanto viva Ruindade quanto urra Suada quanto surra Letrada quanto esconde Canta o conto Canto onde Canto certo Canto pronto Conto quanto Não sei Se houvera desse lado Ouvido Orelha Boca Nariz Narinas Dito ao quadrado Tinha desse lado ao quadrado Mais que somente o dado Tanto quanto fosse navegado Tanto quanto fosse selado Chancela carimbo esquadro Gravado nesse lado de lado Ao lado do tudo quanto fosse ditado Decoro essas linhas torpes Essas filas retas Essas filhas setas Essas folhas embebidas Bebendo dessa partida

Renan Baddauy

Machinita Gira Carrossel de horrores Assassinos Penteando Os cabelos da idiotice Redundante De novo Mais que nesse ovo No meu calo Idades Quando Momentos dados relevantes De fatos pretéritos Não sabidos Definhando De pouco Mais pouco Miserável E Endiabrada Roda Rola na mão Enrola essa criança Embola ela Dança Cantando No pelo do couro Coralino Salve Nossa ressalva Atirando Mais que todo lados Para cima Alto Altíssima Donzela de tranças Fantasiada de brisa Princesa de noite Bela E Fera Vem Vai mais Volta Assopra Troca Roca Ladeando meu rock Toque de trompa Raio Raia Nessa rajada De balada De louco Seja de Muito Ou Tanto Trombeta Soando e ressoando Corneta Buzina na orelha Cadela Mais sem ela Nivela Aponta nosso lápis Apela Resolve e não abre Fecha Boca de mentira Espelha Ela e alucina Crina Ronco de megera Fada Mágica E Lunática Entoa Voa vai revoa Rosna ronca parafusa Tampa tudo tanto Hasteia Seja quanto tão Morte Mortifica E Viva Trem Tiro de pistola Bola bem bolada Rola essa mania Fria congelada Nada de braçada Assume Qualquer coisa que valha Digna Conversa de navalha Ponta e prumo Pronta E Alinhada Proa Lança Porta e parta Reparte Sua E nossa parte

Renan Baddauy

QUEM DENTRE HOMENS MULHERES DENTRE ELES CRIANÇAS DENTRO DELAS DELES CLAMANDO POR TODAS ELAS POR TODAS ELAS ELA QUEM? QUEM POBRE OU MENOS GENTE QUEM PIOR OU INDIGENTE QUEM VIL OU MENOS INDECENTE QUEM MAIS DENTRO DELA? QUEM HUMILDE OU PIEDOSO CACHORRO OU PROSTITUTA RATO GATO PUTA MAGRO GROSSO BURRO GENTIL CEGO MENDIGO QUEM FOSSE RICO OU PODEROSO QUEM FOSSE DONO OU PROPRIETÁRIO SENHOR SERVO ESCRAVO BRAÇO ARMA ESCÁRNIO VÔMITO URINA CATARRO SANTO LEIGO CASTRADO VIRGEM CASTO CASTIGADO? NENHUM DE NÓS MAIS O GATO MAIS SABE O TRATO INTESTINAL DESSA BOCA QUE NÃO ABRO ALGUNS DE NÓS PODEM MAIS QUE O PATO SABER DE ARTE MAIS NOSSO PACTO? ALGUNS DE VÓS CONHECEM NOSSO TRATADO MAIS LONGE O MATO MAIS PERTO O DADO MAIS CERTO QUE O QUADRADO TEM LADOS MAIS RETOS TORTAS CURVAS REPLETAS FLECHAS ATRAVESSANDO OS ARCOS TETOS BAIXOS ACHATANDO NO MEIO EM CHEIO SEIO E VEIA VAZA POR ENTRE NÓS PERCORRENDO A TEMPO OS MUROS LABIRINTOS TINTOS SECOS SECA BOCA E BOCAS DISSE O LOBO A LOBA O BOBO A CORTE A ARTE O CORTE MAIS VAZIO MAIS FUNDO MAIS OBTUSO MAIS INVASIVO MAIS CORROSIVO MAIS CONVINCENTE MAIS DENTRO MAIS DENTRE MAIS ENTRE MAIS QUEM?